Cristo Crucificado Grande em Madeira

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Descrição Grande Crucifixo de pousar com Cristo em Madeira Policromada ricamente esculpido e trabalhado na madeira. Imagem de Cristo, de olhar fechado, desfalecido, preso na cruz com 4 cravos, um em cada mão e um para cada pé, pés separados. Cendal a meio da cintura preso por cordel e preso ao lado esquerdo o que é pouco comum, de cor dourada. Pormenores no corpo de cristo, na zona do torso onde se podem verificar as feridas da lança, no torneamento dos braços com vestígios das amarras nos pulsos, feridas nos joelhos. Rosto com barba e cabelos compridos, com olhos semicerrados. Cristo crucificado em Cruz de Madeira, ricamente trabalhada e entalhada e policromada com a madeira ao centro em forma de resplendor Dourado, assim como as extremidades/remates dos braços ricamente esculpidos e vazados com florão. Base entalhada, recortada e esculpida com florão, com policromia marmoriada de tom castanho e Dourados. Dourados a Ouro Brunido. Resplendor em Prata não contrastada ao abrigo do decreto-lei nº 120/2017 de 15 dede Setembro de 2017, com pedra sintética vermelha ao centro. Trabalho Português do Princípio do Séc. XX.

Dimensões: Crucifixo: Alt: 100 cm X Larg: 51 cm Cristo Madeira: Alt: 44 cm x Larg: 31,5 cm

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Nota

“Os Crucificados, Tradição e particularidades” Sereno, dramático lacerado, trágico, lírico. A trajetória da agonia mostra O-vivo, agonizante e morto; neste último caso , é quase regra encontra-lo com a cabeça tombada á direita. Segundo a tradição, a fixação da cruz foi orientada para os 4 pontos cardeais. A face tombada á direita indicava a direcção de Roma, de onde surgiria a sua igreja. O Ângulo de abertura dos braços foi interpretado como mensagem. Abertos na horizontal, simbolizavam a salvação de toda a Cristandade. Nos crucificados onde a abertura é mínima e faz quase um V, de acordo com a doutrina herética jansenista (Cornélio Jansen, 1585-1638), simbolizavam advertência quanto ao reduzido número de predestinados à felicidade eterna. Verificada a falta de fundamento nesta interpretação, tudo leva a crer que as considerações atinentes ao resultado plástico seriam as principais determinantes na angulação dos braços. A Coroa de espinhos integrada na cabeça é conhecida desde o séc. XIII, mas não se torna regra nem mesmo no Séc. XVI, quando é mais frequente . A chaga no peito aberta pelo golpe de lança aparece regularmente à direita. Embora raras, existem figurações com a chaga no lado esquerdo. Segundo a tradição, a veste usada por Jesus na crucificação foi o Subligaculum, espécie de faixa que envolvia os rins e coxa, um tipo de calção de uso quotidiano. Na Alta Idade Média, Jesus foi representado vestindo túnica longa, deixando mãos e pés descobertos. Dentro de pequenas variantes, a veste actual, e que guarda afinidades com o Subligaculum, é reconhecida desde o renascimento. Nada mais é do que uma faixa estreita de pano envolvendo o corpo abaixo da cintura, amarrada à direita. Em casos raros. O laço do acabamento faz-se à esquerda. O número de cravos que O prendiam à cruz foi, entre todas, a questão que mais dúvidas suscitou. Até ao Séc. XIII, foi regular o uso de 4 cravos – um para cada mão e um para cada pé -, separados. A partir de então até ao Séc. XVI, preferiu-se o emprego de 3 cravos, representando-O com os pés sobrepostos. A exegese da crucificação não conclui quanto ao número de cravos e, a partir do Séc. XVI, tournou-se uma questão de opção de representar Jesus preso à cruz com 3 ou 4 cravos. Grupos diferentes posicionam-se: a Itália optou por 3 cravos, a companhia de Jesus Também e fê-los representar no seu brasão: a França e a Espanha, ocasionalmente, retomaram os pés paralelos, mas estas figurações foram menos frequentes. O harmonioso resultado estético na torção do corpo obtida com a sobreposição dos pés torna quase regular esta forma de figuração. E, neste caso, é constante a representação em que o pé direito se encontra sobre o esquerdo, mas há excepções. Há representação de Cristo Expirante, em que está a olhar para cima, a agonia e dor refletem-se na contração do abdómen, na inflexão do eixo do corpo e na face erguida de Cristo, no momento em que, no limite das suas forças como homem, clama por ajuda do pai. Igualmente Cristo pode ser representado Crucificado Morto, de cabeça tombada para baixo e corpo mais caído.“ Texto extraído do Livro/Catálogo “Arte do Marfim” Museu dos Transportes e Comunicações, Porto, 1998, elaborado no Âmbito das Comemorações dos Descobrimentos Portuguese.