Óleo S/Platex - Santo António - Jose R?

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Descrição óleo sobre Platex, de rico detalhe e pormenor, representando de uma forma minuciosa um rico Santos António com vestes bastante decoradas com dourados policromados e filigranados, assim como as vestes do menino jesus. Na mesma tónica o resplendor do Santo António é dourados com decoração de pedraria e trabalho de filigrana. O menino Jesus carrega na sua mão esquerda a bola do Mundo. Santo António está descalço e na sua mão esquerda segura uma flor. Do seu lado Direito está uma mesa, com uma fina toalha igualmente bordada e decorada, com um livro aberto (possivelmente a Bíblia) e por trás um cortinado igualmente ricamente decorado. Por detrás do Santo António pode-se ver Arvoredo, Nuvens e ao que parece um Pássaro (Graça Real), nuvens e uma cercadura. no chão do lado esquerdo e direito, flores. Pintura com bastante simbologia. Moldura em Madeira ricamente trabalhada com molduras e folhagem, entalhamento convexo e concavo com bordo interior em folhos. Acabamento dourado velho. Dimensões Moldura: Alt: 72,5 cm x Larg: 56,5 cm Dimensões Pintura: Alt: 56,5 cm x Larg: 41 cm

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"Nota"

Santo António

Santo António de Lisboa, internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua, da Ordem dos Frades Menores (Lisboa, 15 de Agosto de 1191-1195? -Pádua, 13 de Junho de1231), com o nome de baptismo Fernando de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII.

Inicialmente foi frade agostiano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, tendo posteriormente ido para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez os seus estudos de Direito. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França. No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador. Foi professor de Teologia e grande pregador. Foi convidado por São Francisco para pregar contra os Albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

Santo António de Lisboa é considerado por muitos católicos um grande taumaturgo, sendo-lhe atribuído um notável número de milagres, desde os primeiros tempos após a sua morte até aos dias de hoje.

Protector dos noivos, é tradição em Lisboa realizar-se um casamento colectivo, no dia 13 de Junho, na sua igreja, junto à Sé de Lisboa.

 

De Lisboa até Coimbra

Santo António, de seu nome Fernando, filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa Taveira Azevedo, nasceu em Lisboa entre 1191 e 1195, (aceita-se oficialmente a data de 15 de Agosto de 1195), numa casa próxima da Sé de Lisboa, às portas da cidade, no local, assim se pensa, onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação.

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando mais tarde, por volta de 1210 ou 1211, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, guiado pela mão do então prior D. Estêvão.

Permaneceu em São Vicente de Fora durante três anos, tendo com 18 ou 19 anos entrado no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, no tempo um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.

O martírio de cinco franciscanos, decapitados em Marrocos, e a vinda dos seus restos mortais em 1220 para Coimbra fizeram Fernando abraçar o espírito de evangelização e trocar a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António.

Na Itália e no Sul de França

Por essa altura, decidiu deslocar-se a Marrocos em acção de evangelização, onde esteve, mas acometido por grave doença decidiram os Superiores da Ordem repatriá-lo. No regresso, uma forte tempestade arrastou o barco para as costas da Sicilia. É aqui, na Itália, que António se notabilizaria como exímio teólogo e grande pregador.

Em Março de 1222, em Forli, dissertou para religiosos franciscanos e dominicanos de forma tão fluente e admirável que o Provincial da Ordem o destinou de imediato à evangelização e difusão da doutrina.

Fixou-se então em Bolonha onde se dedicou ao ensino da Teologia e à pregação, nomeadamente contra as heresias dos Cátaros, Patarinos e Valdenses, o que lhe valeu o título de incansável martelo dos hereges.

Seguiu depois para França com o objectivo de pregar contra os Albigenses e em 1225 é pregador em Toulouse. Na mesma época foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e teria à sua guarda igualmente a Província de Limoges, por escolha dos frades da Província. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha.

Em Outubro de 1226 morreu Francisco de Assis. António assistiu à canonização de São Francisco em 1228. Neste ano deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença. Durante 1229 as suas pregações dividiram-se entre Varese, Brécia, Milão, Verona e Mântua. Esta actividade absorvia-o de tal maneira que passou a dedicar-se exclusivamente a ela.

Em 1231, e após contactos com o papa Gregório IX, regressou a Pádua, sendo a quaresma desse ano marcada por uma série de sermões da sua autoria.

Bastante doente, faleceu a 13 de Junho de 1231 no Oratório de Arcela. Os seus restos mortais repousam na Basílica de Pádua, construída em sua memória.

O reconhecimento: Canonização e Doutor da Igreja

Foi canonizado pelo Papa Gregório IX, na catedral de Espoleto, em Itália, em 30 de Maio de 1232, no processo de canonização mais rápido de sempre da Igreja Católica.

Foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XII, em 1946, que o considera «exímio teólogo e insigne mestre em matérias de ascética e mística».

Os Sermões Dominicais e Festivos

Muitos escritos são atribuídos a Santo António, na sua maioria apócrifos. Segundo os estudiosos, os Sermões Dominicais e Festivos são a única obra autêntica escrita pelo punho de Frei António, com a marca da sua personalidade e espiritualidade.

Trata-se de 53 sermões dominicais, escritos em Pádua, no decurso do triénio pastoral como provincial para o Norte da Itália (Romanha) (1227-1230). A estes somam-se mais 4 para as festividades marianas. Os Sermões são mais precisamente um manual de pregação do que propriamente sermões ou homilias escritas.

 

Iconografia/Iconologia

A sua representação iconográfica mais frequente é a de um jovem tonsurado envergando o traje dos frades menores (franciscanos), segurando o Menino Jesus sobre um livro e tendo uma cruz, ou um ramo de açucenas, na outra mão. Esses atributos podem ser substituídos por um saco de pão, embora geralmente a figura do menino Jesus (nu ou vestido, de pé ou sentado, interagindo ou não com o santo) mantenha-se na outra mão. Uma das suas características, na sua representação mais fiel, é ter o habito de franciscano ligeiramente levantado em baixo para mostrar outro de "agostinho", o qual usou antes de aceder ao segundo, que foram as duas ordens religiosas em qual ele fez parte enquanto viveu. Uma rara representação iconográfica, exclusiva a Portugal e as suas ex-colónias, mostra o santo trajando as vestes de "menino de coro" ou de sacristão, segundo a tradição que, em adolescente, teria sido "coroinha" na Sé de Lisboa. Em pintura, o santo pode ser visto em adoração frente a uma aparição do menino, a pregar aos peixes (objecto de um sermão do Padre António Vieira, séculos mais tarde), tal como São Francisco pregava aos pássaros, fazendo que uma mula se ajoelhe diante de um ostensório ou achando num cofre o coração de um avaro. Considerado padroeiro dos pobres, é também invocado para ajudar a encontrar objectos perdidos, numa oração conhecida como os responsos.

Santo António de Lisboa é enfim comummente considerado como um santo casamenteiro; segundo a lenda, era um excelente conciliador de casais.

 

 

Os símbolos dão a ideia geral da imagem e alguns critérios de interpretação. Por exemplo, na imagem de Santo António, há símbolos de santidade, pertença à Ordem Franciscana, eleição divina e indicação de que foi pregador.
Esses símbolos, santidade, eleição, pregador e franciscano, são mais ou menos universais e imutáveis. Os atributos, que os caracterizam, o lírio, o menino, a Bíblia e o hábito são mutáveis e sujeitos, a cada época, a um tipo de leitura.
Os atributos:
O hábito franciscano
É um atributo que aparece desde a primeira hora e sempre serviu como mesma chave-de-leitura: quer dizer que ele foi franciscano. No século XV apareceram algumas breves representações que mostravam o santo com um hábito cinza, dos penitentes ou mendicantes; o corte tonsurado do cabelo tem o mesmo significado.
O livro (o atributo mais antigo)
Representa o Evangelho e a sabedoria de António, primeiro mestre de Teologia da Ordem dos Frades Menores e doutor da Igreja. Lembra o pregador que arrebatava as multidões com as palavras do Evangelho. Por sua sabedoria bíblica, o Papa Gregório IX chamou-o de "Armário (Arca) do Testamento".
O menino
O menino é visto em três tipos de representação:
1. Em cima do livro Em geral aparece sobre o livro aberto que o santo tem na mão, em gesto de quem abençoa, ou, usando um gesto de origem grega, com os dedos médio e indicador levantados, juntos, como a chamar a atenção para alguém que vai falar (no caso, o santo, pregando); pode representar a visão presenciada pelo Conde Tiso, na sua residência; o estar em cima do livro (Bíblia) evoca a característica de Frei António como pregador do Verbo encarnado; o menino, segundo algumas fontes, nos primeiros tempos, não seria Jesus, mas as crianças, por quem o santo tinha enorme predilecção; numa obra de El Greco, o menino (Jesus) aparece como brotando das páginas do livro, onde António mostra a revelação do Verbo.
2. No colo do santo Em outras representações, o livro aparece de lado, e o menino Jesus está no colo de António, numa atitude de extraordinária familiaridade, acariciando-lhe o rosto.
3. Sendo mostrado ao santo, pela Virgem Maria. Um quadro (reproduzido em alguns "santinhos", mostra a Virgem apresentando o Filho à adoração de António).
O lírio
O lírio é um símbolo-atributo que aparece nas representações artísticas após o século XV e torna-se popularíssimo; tem dois significados: o mais antigo remete a Pádua; o lírio é a flor da estação na qual António morreu; é a flor do campo, ornamental, perfumada, medicinal e frágil. O outro significado simbólico, posterior ao primeiro, refere-se à pureza, à castidade, à pobreza e ao vigor do testemunho de vida, na entrega do coração virginal a Deus. Há ainda um terceiro atributo, paralelo: a natureza, mostrada, pelos franciscanos, como sinal de Deus.
A cruz na mão
A cruz na mão (do século XVI) pode significar duas coisas: o espírito missionário do santo, ou, o seu desejo de tomar-se um mártir da fé.
Os pés desencontrados
Se observarmos as imagens de Santo António, veremos que os seus pés não estão um ao lado do outro, mas um mais à frente do outro; trata-se de um indicativo de "em marcha", "a caminho", atitude que sempre caracterizou o seu trabalho missionário.
A fisionomia adolescente
O rosto jovem, alegre e belo é consequência, como já vimos, daquela perfeição que a religiosidade popular passa à arte, relativamente aos santos e bem-aventurados; significa, também, a jovialidade do espírito do cristão.
O pão
Em certas obras de arte antigas (século XVI-XVII) vê-se o santo distribuindo o "pão dos pobres"; esse atributo é o mais recente; apareceu em Messina, na Sicília, em meados do século XIX, durante uma época de fome.
A chama
A chama de fogo que aparece em alguns ícones, especialmente orientais, simboliza o amor divino, o zelo e a paixão do santo por Jesus e o seu Evangelho.
A nogueira
Esta é uma representação não muito conhecida; pouco antes de morrer, com falta de ar. Frei António pediu que armassem a sua cela no topo de uma nogueira frondosa, possivelmente nas propriedades do Conde Tiso. O santo já estava doente; falam em hidropisia e asma; há quem suspeite de obesidade ("adquirira certa corpulência...") e diabetes; ali, além da altura (que proporcionava o ar fresco), o odor das resinas da árvore mantinha-o defendido dos mosquitos; pois mesmo ali vinha gente ouvir a sua palavra. Uma pintura renascentista mostra o santo em cima da árvore, pregando ao povo, sentado, com a Bíblia na mão, como se estivesse numa cátedra, tendo, abaixo de si, São Boaventura, na época, o coordenador geral dos franciscanos; o estar na árvore é figura do desprender-se da vida terrena, já que o santo estava nos últimos dias de vida.
O terço
Para explicitar que Santo António era um homem de oração, a iconografia do século XVI representou-o com um terço pendurado à cintura. O terço foi criado por São Domingos de Guzman, utilizando antigos modelos orientais