Jarro em Forma de Capote em Cerâmica dos Açores C. Vieira
Descrição
Jarro em Cerâmica acastanhada vidrada com algum lustre, da Zona dos Açores, Lagoa, em forma de mulher com Capote. Marcada na Base 125E, C. Vieira, S, M?. Em perfeito estado.
Dimensões: Alt: 24cm x Larg: 15,5 cm c/Pega
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"Nota"
Fábrica Cerâmica Vieira, O seu fundador, Bernardino da Silva, natural de Vila Nova de Gaia, trouxe para São Miguel um verdadeiro técnico de cerâmica vidrada, Manuel Leite Pereira, que em conjunto com Tomás d´Ávila Boim, natural do Pico e Manuel Joaquim d´Amaral, da Vila da Povoação, criaram uma fábrica no Porto dos Carneiros, no Rosário, junto a uma baía amena, onde as barcaças descarregavam as bolas de barro da ilha de Santa Maria, de cor acinzentada, rico em caulino gordo, que era misturado com areia e barro do continente para o fabrico da louça. Esta indústria desenvolveu-se rapidamente. Em 1888, foi premiada com a medalha de cobre na Exposição Industrial Portuguesa de Lisboa. Manuel Leite Pereira, em 1872, abandona a sociedade e funda uma nova fábrica nas Alminhas, Vila da Lagoa. Em 1882, recebeu vários prémios na 1ª Exposição Portuguesa promovida pela Sociedade de Instrução do Porto. No tempo dos povoadores, o modo de fabrico da louça era basicamente idêntico ao de hoje, uma vez que é totalmente feito à mão, nas velhas rodas de oleiro e, posteriormente, é pintado. Antigamente, o barro vinha em barcaças, em bolas enxutas, armazenadas na ilha de Santa Maria. Depois era colocado no “ barreiro”, onde era amolecido com água e amassado com os pés. Seguidamente, era esmagado com areia e posto em tanques, sendo filtrado das impurezas com um peneiro ou “ crivo”, passando para outros tanques, a fim de ser mais apurado, por meio de baldeação. Só depois se juntava o “ torcaz”, ou seja, as aparas que restavam das rodas dos oleiros. Seguia-se, então, a fase da secagem, em que se atirava o barro às paredes de tijolo no pátio, a fim de lhes retirar uma boa percentagem de água. Posteriormente, o barro passava para o “laminador”, um cilindro de ferro, com palhetas movidas por um eixo de ferro vertical, que ia misturando e aperfeiçoando a textura do barro, transformando-o numa massa moldável e homogénea. Depois de pronto, o barro era levado em forma de bolas “empêlos”, pelos aprendizes, em porções adequadas aos tipos de peças e eram colocadas sobre as “ alpiocas”, massa de barro, que servia de torno aos roleiros (oleiros) que, sentados à frente as “rodas de lavrar”, faziam girar com o pé e davam largas à sua habilidade, criando as mais variadas peças. Desta primeira roda, saíam as peças ainda grosseiras que depois passavam pelo “fretamento” (aperfeiçoamento com auxílio da “fretadeira”, isto é, espécie de facas com vários gumes, feitas de aros de pipa). A secagem fazia-se primeiro ao sol, indo depois ao forno. Os fornos antigos como eram aquecidos a lenha e fechados com barro, a cozedura durava cerca de oito dias. Depois de cozida, a loiça era vidrada com um líquido pastoso acinzentado e, posteriormente, era seca. Depois era pintada à mão nos “ tornitos”, discos em rotação, onde se assentava a louça para decorar. A actual fábrica de Cerâmica Vieira, que resulta da primeira fundada no Porto dos Carneiros e Alminhas, mantém toda a laboração artesanal como no passado, tendo, no entanto, modernizado algumas máquinas, nomeadamente a de mistura, a de limpeza, a de secagem, o laminador e os fornos que passaram a ser eléctricos, por serem mais rápidos e mais práticos. Uma peça desta louça passa, muitas vezes, pelas mãos dos mesmos artesãos antes de ficar pronta, não existindo repetições perfeitamente iguais, como é apanágio das peças genuinamente feitas à mão. Os grandes murais, paisagens, retratos, estatuária e outros trabalhos importantes são pintados pelo artista João Alberto Simões Rego, que há trinta e três anos empresta a sua arte e criatividade à fábrica. A Cerâmica Vieira, para além de louça, produz azulejos moldados e pintados à mão. Na fábrica do Porto dos Carneiros fabrica-se a telha e os tijolos e na das Alminha a louça vidrada. António José da Silva Martins Vieira, natural da Lagoa, actual proprietário da Cerâmica Vieira, é a quinta geração familiar de proprietários desta indústria artesanal. A “Louça da Lagoa” é muito apreciada e poucas são as casas açorianas que não têm uma peça a embelezá-la e a enriquecê-la. No cartaz turístico e etnográfico, a “Louça da Lagoa” é já conhecida como uma referência dos Açores








