Guitarra Portuguesa de Domingos Machado

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Descrição

Bela Guitarra Portuguesa de Coimbra, construída pelo mestre Domingos Machado, fabricada em boas madeiras exóticas, como as costas que são feitas em Pau-santo, com pequenas tiras de Pau-cetim nas ilhargas. O Braço é igualmente feito em Pau-santo, e o cavalete em marfim. O tampo da Guitarra é feito em casquinha ou ácer, sendo a boca decorada com embutidos de madrepérola e frisos. A presilha para as cordas é em metal, prendendo as 12 cordas que se dispõem aos pares, sendo as 12 Tarrachas da mão feitas em metal. A Guitarra é acompanhada pelo estojo original, feito em madeira, e forrado no exterior a pele e o interior a tecido vermelho.
No interior da Guitarra existe o selo, do famoso fabricante e restaurador de instrumentos Domingos Martins Machado e a data em que a guitarra foi restaurada por ele.

Dimensões da Guitarra: Alt: 89 cm x Larg: 38 cm x Fundo: 9 cm

INSTMSGT1000L11

"Nota"
Guitarra Portuguesa
A guitarra portuguesa é um instrumento muito difundido em Portugal sendo o que mais se aproxima do sentimento Lusitano do povo português. A guitarra portuguesa tem um timbre de tal modo inconfundível que, onde quer que esteja, qualquer português a reconhece aos primeiros acordes. É um instrumento musical carregado de simbolismo e, à mercê da sua longa aliança com o Fado, é conotado com o "modo de ser" português. Destino, fado e saudade são palavras que naturalmente se associam ao trinado da guitarra portuguesa. De origem bastante remota, foi outrora designada por guitarra mourisca, por ter certa semelhança com o alaúde, que os árabes introduziram na Península Ibérica sendo, no entanto, as características dos dois instrumentos algo distintas. As origens da guitarra portuguesa remontam à Idade Média, a um instrumento chamado cítula. Esta evoluiu ao longo dos tempos, passando pela cítara, culminando na guitarra portuguesa. Começando por ser instrumento habitual nos salões da alta burguesia, sobreviveu e transformou-se nas mãos do povo, para se tornar, actualmente, num instrumento popular. A guitarra de Fado, como é hoje designada, foi durante muito tempo conhecida por guitarra inglesa. A razão desta designação era devida ao seu fabrico, em Inglaterra, por um violeiro famoso chamado Simpson, o qual fabricava os melhores instrumentos deste género, alguns dos quais eram exportados para Portugal. Para a construção de qualquer guitarra portuguesa, usam-se madeiras importadas desde a Idade Média, já que os fundos e ilhargas da guitarra têm de ser fabricados em pau-santo, ácer ou mogno. O tampo é executado em spruce, ou pinho da Flandres. Mas, "a grande diferença entre uma boa guitarra e uma má, feitas exactamente com a mesma madeira está na mão do construtor" (citação de Pedro Caldeira Cabral, actualmente uma das maiores autoridades em guitarra portuguesa e música antiga). A guitarra portuguesa é, em linguagem técnica, um cordofone composto, cuja caixa harmónica é periforme, ou seja, tem forma de pêra. É constituído por seis pares de cordas e já teve diversas afinações, mas a que realmente se enraizou foi a a Afinação de Fado: a começar pelas cordas mais agudas, Si - Lá - Mi - Si - Lá - Ré. Existem três tipos de guitarra portuguesa: a de Lisboa, a do Porto e a de Coimbra, com diferentes tradições de fabrico. A de Lisboa é a mais pequena das três, com caixa baixa arredondada e é a que possui o som mais "brilhante". A de Coimbra é maior, com o corpo assumindo uma forma mais aguçada. A do Porto é semelhante à de Lisboa. Uma das principais diferenças reside na cabeça da guitarra: a de Coimbra possui uma lágrima incrustada, enquanto que a de Lisboa apresenta um caracol.

 

 "Nota"
Domingos Martins Machado
O artesão Domingos Machado nasceu em Aveleda, em 7 de Abril de 1936. Era o terceiro filho de dez irmãos (oito raparigas e dois rapazes). Fez a instrução primária na Escola da Torre em Aveleda. Viveu sempre com os pais até ao casamento, excepto durante o serviço militar.
Aprendeu na oficina de seu pai (Domingos Manuel Machado) a arte de fabricar instrumentos. Na época do seu pai o forte dos instrumentos fabricados eram cavaquinhos e as violas braguesas. A obra efectuada era vendida nas feiras. As guitarras e os bandolins era raro fazerem-se, mas as casas comerciais preferiam estes instrumentos. Naquela altura, havia muita concorrência, os Machado tinham por isso que fazer mais obra para a vender a um preço mais acessível. Um cavaquinho custava cerca de dezoito escudos.
Assim foi Domingos Machado crescendo num ambiente de trabalho. A pouco e pouco começou na notar que a obra que faziam não era a que desejava continuar a executar. Pretendia uma obra mais cuidada, mais perfeita e esmerada, executada com muito amor e carinho. Mas o sonho só viria a ser concretizado anos mais tarde.
Após o casamento, Domingos Machado, vocacionado e apaixonado por esta arte, resolve estabelecer-se por conta própria, concretizando o seu sonho.
Para aperfeiçoar os seus conhecimentos, o artesão recebeu lições na Cidade Invicta, com um mestre da Casa Duarte, um respeitável homem de 80 anos.
Passado algum tempo, a obra de Domingos Machado era aceite em toda a parte onde chegasse.
Através do contacto com o Etnólogo, o Doutor Ernesto Veiga de Oliveira, o artesão pode alargar os seus conhecimentos, sobre a grande variedade de instrumentos musicais que existia no nosso país e além-fronteiras. Pois, este dedicava-se à recolha de instrumentos para o Museu Etnológico de Lisboa, e entregava a Domingos Machado instrumentos em mau estado, avariados e antigos para restauro, e executar outros novos. E dessa forma foi conhecendo "o mundo dos instrumentos".
Foi o primeiro artesão no Norte a executar violas campaniças, beiroas, toeiras e outros instrumentos com nomes curiosos.
Trabalha para diversos coleccionadores nacionais e internacionais; para músicos profissionais como Júlio Pereira, Janita Salomé, Ana Faria, José Mário Branco, Pedro Barroso, e outros.
George Harrison, um dos ex-Beatles, tem uma viola feita por Mestre Machado.
Cedeu a Oliver Serrano, primeiro produtor dos Beatles, alguns instrumentos da sua colecção (em 20-10-1990). Como agradecimento , o seu nome sai em dois CDs. O primeiro em 1993, e o segundo em 1994. Intitula-se «Vida para Vida» e com a seguinte dedicatória: "Very special thanks to Domingos Martins Machado".
O cognome de Domingos Machado é «Violeiro», e sente muito orgulho neste epíteto.
Hoje, volvido meio século de trabalho, Domingos Machado é um Mestre reconhecido na arte de fabricar instrumentos de corda populares.