Par de Jarras, Battistini
Belo par de Jarras, da Fábrica de Cerâmica Constância, pintadas a mão pelo fabuloso mestre italiano Leopoldo Battistini. Jarras com excelete trabalho de policromia, com motivos florais, base e rebordo com faixas de motivos gregos, e relevo lateral de argolas. Em perfeito estado de conservação, com infima falha na base de uma pas peças visível nas fotos.
Assinadas na base "F C C L" "L.B.", Fábrica de Cerâmica Constância Lapa, Leopoldo Battistini.
Dimensões Jarras: Alt: 24 cm x Diâm: 11 cm
LÇFAINJRRBATTFL0490L13
"Nota"
Artista italiano, nasceu em Jesi, em 1865, e depois de se formar e leccionar em várias instituições de artes em Itália, em 1888 concorre para trabalhar para o Governo Português e viaja para Portugal. Colocado na Escola Industrial Avelar Brotero, em Coimbra, entrou ao serviço no ano lectivo de 1889/90 ali desempenhando funções docentes até ao final do ano lectivo de 1902/03. Teve como directores António Augusto Gonçalves e, por um curto período de tempo, Albino Augusto Manique de Melo. O primeiro director torna-se uma figura de referência de Battistini, devido ao seu papel de dinamizador das artes tradicionais junto das classes operárias e artesãs locais, através da Escola Livre das Artes do Desenho, a funcionar na Torre de Almedina e, depois, da Escola Brotero. Findos os cinco anos que o prendiam ao compromisso firmado com o Governo Português, decidiu continuar no nosso país, permanecendo em Coimbra, talvez devido aos laços de amizade e de bom acolhimento intelectual que granjeou junto da comunidade local, nomeadamente de Manuel da Silva Gaio, Eugénio de Castro, Afonso Lopes Vieira, António Nobre, Sidónio Pais e outros cuja vida académica decorreu em Coimbra, como D. Tomás de Noronha, D. Vicente de Arnoso e Pad-Zé. Por conhecimento directo, ou devido à influência de alguns destes amigos, ampliou o seu campo de relações, nas quais se incluem os irmãos Arroio, Joaquim de Vasconcelos e outros. Manteve sempre o contacto ao longo da vida do arquitecto Nicola Bigaglia com este italiano ilustre, que deixou obra em Portugal, tendo colaborado com ele em algumas actividades artística e de restauro. Foi professor de desenho e pintura no Colégio das Ursulinas em Coimbra, durante vários anos. Vem para Lisboa no ano lectivo de 1903/1904, para a Escola Industrial Marquês de Pombal, em Alcântara, onde trabalhará, sob a direcção de Carlos Adolfo Marques Leitão, até ao fim da sua carreira de professor, em 1930. Uma vez em Lisboa, aproxima-se da comunidade italiana que frequentava a igreja do Loreto, inclusive do corpo diplomático. É convidado para restaurar as obras de pintura daquela instituição religiosa e a criar obra própria, pelo que executou, por encomenda, o quadro O Aparecimento da Virgem a Santo António, tema que se inscreve num sistema de manutenção das boas relações entre as duas culturas latinas. Desenvolveu actividades ligadas ao campo artístico com outro italiano, o escultor e cinzelador de metais, G. B. Christofanetti. Manterá as relações iniciadas em Coimbra e entrará em contacto com outros círculos de amigos, sendo de referir António Correia de Oliveira e Afonso Dornelas este, seguramente, responsável pela sua entrada na Associação de Arqueólogos e Arquitectos Portugueses e seu conselheiro sobre estudos de História e Heráldica nacionais. O Dr. José de Figueiredo e o grupo dos Amigos do Museu das Janelas Verdes, assim como Joaquim Leitão e outros membros da Academia das Ciências, serão referências permanentes. Maria de Portugal ser-lhe-á devotada até à morte, desde o ano de 1915, quando dela pintou o primeiro retrato. Será ela a herdeira da sua fábrica de cerâmica. Com as dificuldades resultantes das modificações políticas, perde o amigo, rei e artista, D. Carlos de Bragança, de quem fizera o retrato que se encontra na Sala dos Capelos, na Universidade de Coimbra e, anos depois, vê ser atingido o antigo colega e amigo, Dr. Sidónio Pais. Começa a frequentar o Ribatejo por volta de 1917 e desta região deixará lembrança da paisagem, dos tipos e dos costumes nalgumas das suas obras. Entrara, por arrendamento, no espaço do mosteiro de S. Vicente de Fora, possivelmente em 1912 e dali é expulso com saque de muitos dos seus bens, acusado de monárquico e de sidonista, em 1921.
Num desejo de recomeço e de luta contra a adversidade, entra na posse da Fábrica de Cerâmica Constância, como sócio maioritário, em parceria com o artesão Viriato Silva, e o italiano Francesso Stella, naquele ano, trabalhando na sua mais profunda paixão, a cerâmica, num gesto de recuperação de antigos sonhos, a que não são alheios os ideais ruskinianos e o exemplo bem sucedido de Morris, na Grã-Bretanha. Leopoldo Battistini trabalhou as artes plástica sob modalidades e técnicas distintas, tornando-se notado na pintura a pastel, modalidade em que foi considerado um especialista, depois de Pillement, no nosso país, além do óleo, da gravura e das técnicas de cerâmica, em azulejo, majólica e técnica dos della Robbia. Alguns estudos de quadros seus que figuraram nas exposições realizadas em Lisboa, encontram-se na Sala-Museu com o seu nome, na Escola Secundário Marquês de Pombal, para onde foram encaminhadas por doação àquela instituição, primeiro em 1969, por Maria de Portugal e depois, por ocasião da morte daquela ceramista e amiga de Battistini, em 1971.
A Leopoldo Battistini se deve a renovação, em Portugal, da indústria artística da cerâmica, tendo saído da sua “Fábrica de Cerâmica Constância” - em Lisboa (na Lapa) - verdadeiras obras-primas, bem como trabalhos de restauro de azulejo que atingiram um elevado grau de perfeição.
Em reconhecimento das suas excepcionais qualidades de artista foi homenageado com a Ordem de Santiago em 1902; com a comenda da Coroa de Itália em 1908; com a comenda Stella al Merito del Lavoro All’Estero em 1923; e com a Ordem Portuguesa de Mérito Industrial em 1935.
Leopoldo Battistini viria a falecer a 4 de Janeiro de 1936, em Lisboa.







